O Conhecimento Geográfico
Fabrício Silva Lima
Resumo
O objetivo a que se propõe este texto é o de descrever o desenvolvimento inicial
da Geografia, desde quando tratada filosoficamente junto a outros temas na
época da Grécia Antiga, até o momento em que o pensamento marxista era base
filosófica principal para o desenvolvimento da Geografia.
Palavras Chaves:
Geografias, correntes de pensamentos, desenvolvimento, estado, espaço vital,
determinismo, possibilismo.
Introdução
A geografia nasceu do anseio do homem em conhecer e registrar o espaço onde mora
e desenvolve suas atividades, bem como de observar e catalogar as alterações
físicas da natureza.
[...] O
conhecimento geográfico era eminentemente prático, empírico, limitava-se a
catalogar e cartografar nomes de lugares(...)servia aos governos que organizavam
a administração(...)aos comerciantes que acrescentavam aos nomes de lugares
indicações sobre as possibilidades de produção, com informações sobre os
principais produtos que poderiam ser ai explorados e da força de trabalho
disponível[...].1
Durante muito
tempo à geografia fica a mercê de outras ciências não sendo encarada como uma
ciência autônoma justamente por apresentar um campo vasto de estudo, por estar
atrelada por a varias ciências sejam elas naturais ou humanas, e por não
apresentar um objeto de estudo defino. Daí decorre uma discussão de não pode –
se definir a geografia como uma ciência humana ou natural. Essa tamanha
interdisciplinaridade da geografia faz com que a mesma não apresente uma
identidade concreta e tornando dificílimo então definir qual o objeto e o
objetivo de estudo da mesma.
O
reconhecimento da Geografia como Ciência decorre dos estudos realizados pelos
alemães Alexandre Humbolt e Karl Ritter, que são considerados os criadores da
Geografia Acadêmica, mas o conhecimento geográfico remonta desde a pré –
historia. È importante frisar que, os que o uso dos conhecimentos geográficos
variaram com a necessidade e evolução cultural dos povos que deles usufruíam.
No período do
pré – historia o homem utilizou – se do saber geográfico, para conhecer a
natureza, para poder dela retirar o seu sustento. Mas povos com um grau de
hierarquização maior utilizavam a geografia para funções mais sócio – políticas,
como o planejamento de cidades e estradas localizadas estrategicamente.
Mas é a
partir da Antiguidade que se lança às bases da Ciência Geográfica, com o
desenvolvimento do comercio, da navegação, aprimoramento da agricultura, fez se
necessário o estudo do espaço. Há contribuições significativas nesse período por
parte dos Gregos e Romanos. Os Gregos, povos culturalmente mais avançados
posicionaram seus estudos para uma geografia voltada ao estudo dos fenômenos
naturais, como a chuvas, vulcanismo, relevo, desenvolveram a astronomia,
climatologia, mas também faziam descrições de lugares, rotas marítimas etc.;
dentre os gregos destacam-se as figuras de Estrabão, primeiro a utilizar o termo
Geografia, e Aristóteles que estudou as variações do tempo, a geodésia, e
já formulava a idéia de que a Terra erra redonda. Os romanos absorveram a
cultura Grega, mas dentro da Geografia se limitaram a fazer estudos descritivos
de seu vasto império, sobretudo rotas comerciais, vales, montanhas, rios,
visando mais a parte de organização do império.
Durante a
idade Media ressalta-se a as ações dos Árabes, que com o crescimento do Islã
expandiram seus domínios para o Oriente Médio e península Ibérica. Os árabes
muitos ligados a matemática e a astronomia preocuparam-se em estudar a natureza.
A cartografia e a Navegação ganharam reforço com a invenção do da Bússola e do
Astrolábio. Os árabes eram grandes comerciantes e realizaram varias viagens com
o intuito de comercial que contribuíram para a geografia, pois traziam relatos
de climas, relevos, ventos, correntes marítimas.
Com a chegada
do séc. VIII a geografia e a própria ciência como um todo tende a concentrar
seus objetos de estudo, a acumulação de conhecimentos ao longo do tempo, começa
a propiciar a união do pensamento geográfico. O holandês Bernad Varnius, foi um
dos propulsores da ciência geográfica, em seu livro intitulado Geografia Geral,
ele tenta unir a Geografia Geral, a física, a matemática, astronomia,
descrevendo fenômenos e mostrando as relações de causa e efeito. A união de
informações sobre o globo terrestre, o avanço significativo da cartografia, e
essencialmente o desenvolvimento do capitalismo e o surgimento do Estado – Nação
foram condições ideais para a sistematização da Geografia.
Essa
sistematização ocorre na Alemanha, seus principais formuladores são os alemães
Alexandre Vom Humbolt e Karll Ritter. Humbolt era botânico e viajante, percorreu
vários lugares do mundo, fazendo descrições das mais diversas paisagens que via,
formulou o primeiro conceito de clima, estudou as correntes marítimas, a flora e
a fauna. Já Ritter era historiador, desenvolveu seus estudos mais voltados à
didática da geografia, procurou estuda as relações entre sociedade e natureza,
realizando a chamada Geografia Comparada. Embora não fazendo escola,
Humbolt e Ritter foram mestres dos principais geógrafos a partir de seu tempo,
como Ratzel, La Blache.
A geografia
evoluiu de maneira a atender a expectativas da época, tende se mostra
contemporânea, A Geografia Tradicional, a primeira a ser utilizada no sistema de
escolar, surgiu na Prússia, num período político onde se buscava a unificação de
vários estados em uma única nação, hoje atual Alemanha, período também de
Revolução Industrial, surgimento do Capitalismo, onde as nações buscam forma
seus movimentos imperialistas, esse momento propiciou a criação de uma geografia
voltada a divulgar uma imagem do interior da nação, o uso do
patriotismo-nacionalismo, com a finalidade de unificar antes das terras os
povos, de formar um cidadão soldado que defendesse sua pátria acima de tudo.
Como didática de ensino, pregava-se em sala de aula a memorização dos assuntos,
não se procurava com a construção do conhecimento, e sim uma verticalização dos
conhecimentos.
A geografia
sempre acompanha seu tempo, com o intuito de explicá - ló. No período entre 1º
guerra e os anos 60-70, com planificação da economia de um lado e o capitalismo
de outro, surge uma geografia aplicada aos números, a Geo Quantitativa, apoiado
por esses sistemas políticos, pois os mesmos necessitavam de dados para a
construção das estáticas, e com isso da geografia deixa de lado as questões
sociais, alegando que a geografia tinha de ser uma ciência neutra. Com
desequilíbrio desse sistema político, essa geografia passa a ser questionada e
surgem duas correntes filosóficas, a Geo Quantitativa atrelada à geografia
tradicional e a Geografia Critica ou Radical, sendo que a primeira perde espaço
no âmbito acadêmico.
Por volta do
final da década de 70, nasce à chamada “Geografia Crítica”, que revoluciona toda
a estrutura não apenas do ensino, mas da maneira de pensar da geografia, apoiada
no marxismo a Geo Crítica busca a revelar a realidade social, mostrar - se mais
uma arma política do socialismo do que propriamente uma ciência geográfica.
A geografia
Crítica à nível de ensino procura forma o cidadão critico, não procura apenas
passar informação, incentiva o aluno a pesquisar, a questionar o porque do
acontecimentos, e qual o fator propulsor das mudanças ocorridas no espaço como
um todo. O slogan da Geografia Critica é “Aprender a Aprender” que resume
como é trabalhada a geografia critica em sala de aula. Um aspecto importante
dessa geografia e a velocidade com que ela acompanha as transformações sociais,
culturais, econômicas e políticas, o pensamento geográfico passa então a
questionar as mudanças ocorridas no mundo como um todo.
1 - Andrade, Mario Correia. Caminho e descaminhos da geografia. p.
30.